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domingo, 10 de abril de 2011

Bidê ou Balde


No dia 15 de março, para celebrar o inicio do ano letivo, a UNISC (Universidade de Santa Cruz do Sul), promoveu um belo show da banda Gaúcha Bidê Ou Balde. Uma das mais criativas do estado, fazendo seu show no centro de Convivência da universidade.

Com o "CC" repleto de estudantes (e não-estudantes, como eu), a banda entrou no palco já fazendo graça, com o guitarrista Leandro Sá acertando uma cabeçada em cheio numa das barras de metal que sustenta a estrutura do lugar. Pra começar a animar a galera, o vocalista Carlinhos Carneiro proferiu um baita discurso de variados temas, incluindo no meio a causa do show – que era beneficente em função da UTI do Hospital Santa Cruz – com o resto da banda aquecendo seus instrumentos, avisando o que estava por vir. Após o inspirador e tocante discurso, eles iniciaram a baderna com Me Deixa Desafinar, seguida entre outras pelas por famosas músicas de sua carreira, como Melissa, É Preciso dar Vazão aos Sentimentos (minha preferida), Bromélias e Mesmo que Mude canção que ficou bem conhecida após o Acústico MTV Bandas Gaúchas. Alguns covers, como O Adventista, da Camisa de Vênus, e uma que eu não conheço do Nirvana, fizeram parte do setlist. Durante todo o show, a banda não deixou ninguém ficar parado, sendo absurdamente carismática e comunicativa com o público.

No fim da primeira parte da bagunça, o frontman Carlinhos pegou o boné de um dos seguranças, e após devolvê-lo, pulou no meio da platéia para cantar um viral que anda percorrendo o Brasil, Minha Mulher Não Deixa Não, de quem eu desconheço a autoria. Depois disso, eles saíram do palco, e só voltaram após um grande coro do pessoal pedindo mais uma, dessa vez com o outro guitarrista, Rodrigo Pilla, acertando a testa na mesma barra de ferro. Na volta, o baterista do momento – do momento porque eles fazem uma espécie de rodízio – tentou puxar Sunday Bloody Sunday, famosa canção do U2, para o meu delírio e de muitos ao meu redor, mas não foi seguido pelo resto da banda, que falava sobre o problema existente com a amada música E Por Que Não, censurada por acusações de pedofilia e incesto. Após um curto protesto aos seus “censuradores”, apoiado por mim e por quase todo o pessoal presente, eles tocaram novamente Me Deixa Desafinar, levando a galera à loucura como se não tivesse sido tocada ainda. Para finalizar o espetáculo, a banda arriscou uma execução sem ensaio, mas muito bem sucedida, de Breed, do Nirvana, e saiu do pequeno palco do Centro de Convivência deixando a multidão pedindo mais.

Com Carlinhos Carneiro nos vocais, Vivi Peçaibes (Vocal /teclado), Rodrigo Pilla e Leandro Sá (guitarras). A banda não conta com batera e baixista fixo. Bidê ou Balde se torna uma das minhas bandas preferidas. Digo isso porque eu normalmente começo a gostar de verdade de uma banda depois que vejo um show da mesma, e a Bidê me conquistou por toda a equação de que é feita. Criativa, profunda e bem humorada em suas letras, irreverente em sua forma de vestir, tocante na forma de falar e muito, mas muito boa mesmo na sonoridade, cheia de lembranças psicodélicas, eu fui dilacerado por esses caras. Muito originais e de qualidade rio-grandense (só podia), cada integrante interage com o publico de alguma forma. Vivi Peçaibes era quem sempre atiçava o pessoal a cantar junto, tocando magistralmente seu sintetizador, pelo qual me apaixonei. Ambos os guitarristas vinham na cara dos mais próximos ao palco para destruir suas guitarras, cantando frente a frente cada refrão, Carlinhos Carneiro pegando na mão de todos, cantando olhando nos olhos, proferindo aquelas belas letras para quem estivesse em contato visual. E o batera detonando aquela parede rítmica. Pra finalizar minha recente adoração a banda, Carlinhos, durante o show diz, não exatamente nessas palavras: “O cara foda de verdade é aquele que se apaixona. Porque se entrega”. Simplesmente demais.


                                                        Resenha de Yuri Viana

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